segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A Juventude dos Anos Dourados


Historicamente, os anos 50 ficaram marcados como os anos do “pós-guerra”, o que significou o fim da escassez de bens de consumo em geral. A seguinte análise tem como objetivo mostrar o panorama da sociedade nos anos 50 e a relação da juventude com essa sociedade valorizadora de seu passado. A partir daí, iniciaremos nossa análise mostrando a tradição em construção. Adiantamos que é uma juventude que inicia seus movimentos de contestação direta, através de um comportamento, e que essa mesma juventude está em formação, que se dará completa em Maio de 68. Optamos analisar o comportamento, desde suas vestimentas até a mudança do imaginário que estes jovens possuíam.
Chama-se de “Anos dourados” o período que focaliza essa análise. Seu início se dá no fim da 2ª Guerra Mundial e perpassa boa parte do período da Guerra Fria. Conceitualmente, é caracterizada por representar uma vitrine da boa vida diante do mundo atrasado e vermelho da União Soviética. É um retorno a um período de estabilidade, onde a tradição volta a ser aplicada. Focalizando nosso estudo no espaço estadunidense, percebemos a (re)construção do “American Dream”. Reconstrução porque o que se dá na sociedade estadunidense, neste período, é um retorno às formas tradicionais de vida, abaladas pela Grande Guerra. O antigo sonho americano passa a ser apresentado ao mundo como o “American way of life”(1), dessa vez aparado pelos avanços tecnológicos, sobretudo de eletrodomésticos, automóveis e cosméticos, que o capitalismo podia oferecer. Tratava-se do triunfo da modernidade aliado aos valores morais burgueses tradicionais.
Um exemplo claro dessa afirmação se encontra na vida feminina deste período. Se num primeiro momento, o da Grande Guerra, essas mulheres apoiavam os seus esposos participando ativamente da defesa de seus países, durante os anos dourados, haverá o retrocesso ao comportamento feminino. A mulher deveria ser bela e bem cuidada, casar-se cedo, possuir filhos, ser uma boa mãe, saber cuidar de seu lar, enfim, percebe-se um retorno ao que antes era concebido como papel fundamental da mulher. É claro que isso não surge como uma medida imposta. O que se vivia era o conforto do fim da Guerra.
O período de opressão e tensão que o ambiente em guerra trazia havia se desmanchado diante da sociedade estadunidense. Não há mais a ameaça direta da invasão nazista, ou o temor do eixo do mal. Vive-se um novo período. Talvez pior, por conta de essa tensão não conseguir se expressar explicitamente.
Daí denominarmos esse instante como “Guerra Fria”. A guerra estava em mostrar ao mundo qual o melhor estilo de vida: o capitalista ou o socialista. Nesse aspecto, o ideal de conforto que o capitalismo e a sociedade de consumo esbanjavam era potencializado ao máximo. Surgem para essas mulheres o aspirador de pó, a máquina de lavar, tudo para facilitar a vida dessas novas mulheres, e a sua aparente felicidade. E para sustentar e gerar o consumismo dessa sociedade.
Dona de casa da década de 50.
GARCIA, Claudia. Almanaque da Folha. Anos 50. 2000.

A própria vestimenta é influenciada por esse novo ideário de vida. Com o fim dos anos de guerra e do racionamento de tecidos, a mulher dos anos 50, no início da década se tornou mais feminina e glamourosa, de acordo com a moda lançada pelo "New Look", de Christian Dior, em 1947. Metros e metros de tecido eram gastos para confeccionar um vestido, bem amplo e na altura dos tornozelos. A cintura era bem marcada e os sapatos eram de saltos altos, além das luvas e outros acessórios luxuosos, como peles e jóias.
Essa silhueta extremamente feminina e jovial atravessou toda a década de 50 e se manteve como base para a maioria das criações desse período. Apesar de tudo indicar que a moda seguiria o caminho da simplicidade e praticidade, acompanhando todas as mudanças provocadas pela guerra, nunca uma tendência foi tão rapidamente aceita pelas mulheres como o "New Look" Dior, o que indica que a mulher do início da década ansiava pela volta da feminilidade, do luxo e da sofisticação estimulada pela televisão que vendia a idéia do glamour pelo consumo. E foi mesmo Christian Dior quem liderou, até a sua morte em 1957, a agitação de novas tendências que foram surgindo quase a cada estação.
A moda dos anos 50.
GARCIA, Claudia. Almanaque da Folha. Anos 50. 2000.

Com o fim da escassez dos cosméticos do pós-guerra, a beleza se tornaria um tema de grande importância. O clima de sofisticação gerou uma necessidade de cuidar da aparência (alguma semelhança com a atualidade?). A maquiagem estava na moda e valorizava o olhar, o que levou a uma infinidade de lançamentos de produtos para os olhos. Grandes empresas, como a Revlon, Helena Rubinstein, Elizabeth Arden e Estée Lauder, gastavam muito em publicidade, era a explosão dos cosméticos. Na Europa, surgiram a Biotherm, em 1952 e a Clarins, em 1954, lançando produtos feitos a base de plantas, que se tornaria uma tendência a partir daí. Era também o auge das tintas para cabelos, que passaram a fazer parte da vida de dois milhões de mulheres - antes eram 500 -, e das loções alisadoras e fixadoras. Os penteados podiam ser coques ou rabos-de-cavalo, como os de Brigitte Bardot. Os cabelos também ficaram um pouco mais curtos, com mechas caindo no rosto e as franjas davam um ar de menina.
Enfim, essa sociedade do pós-guerra ansiava justamente pelo conforto que a guerra, de fato, havia tirado. Porém, esse relativo conforto teria em paralelo a construção das contestações da juventude. Nesse ponto reside a rebeldia dessa juventude: quando ela contesta valores tidos como absolutos, mesmo que participe do ambiente de construção deles.

Moda: o contraponto do visual rebelde com o glamour da alta costura

Como já vimos brevemente, a construção do ideário de vida perfeita estadunidense foi feita principalmente no mundo da moda. Inicialmente, a alta costura ganha força, quando se busca viver a bonança de um novo período.
O mundo econômico permitia essa construção. Afinal, desde o final da guerra, os Estados Unidos já se lançavam como potência hegemônica na sociedade capitalista ocidental, sendo o único representante e defensor da aparente liberdade que esse regime apresenta (novamente, alguma relação com a sociedade de hoje?). Essa hegemonia, inclusive, encontrava-se no mundo militar. Lembremos que as bombas nucleares foram lançadas pelos estadunidenses e mostravam a força militar desse jovem país em crescimento.
Nesse aspecto, a sociedade poderia utilizar todos os meios para fazer valer a sua máxima de que se vivia em uma sociedade feliz. A juventude estava nessa sociedade também. Ela também, inicialmente, vai propagar a felicidade pelo consumo. A mudança, pelo menos, no mundo da Moda, pode ser enxergado quando a massificação imposta pela indústria tenta abarcar essa aparente feliz sociedade.
É necessário entender que a construção do tradicional se dá em paralelo com os movimentos de inocente rebeldia desses jovens. Inocente porque, aparentemente, não havia uma utopia a ser seguida. A luta era pela identidade, pela liberdade de expressão, e sendo os jovens, talvez, a camada mais sensível da sociedade e mais enérgica, eles vão, ao longo da década, contestar a própria educação que tinham.
No ideário de beleza, o cinema teve grande participação. Dois estilos de beleza feminina marcaram os anos 50: o das ingênuas chiques, encarnado por Grace Kelly e Audrey Hepburn, caracterizado pela naturalidade e jovialidade e o estilo sensual e fatal, do qual as atrizes Rita Hayworth, Ava Gardner e as pin-ups estadunidenses, loiras e com seios fartos, são ótimos exemplos. Entretanto, os dois grandes símbolos de beleza da década de 50 foram Marilyn Monroe e Brigitte Bardot, que eram uma mistura dos dois estilos - a devastadora combinação de ingenuidade e sensualidade.
Durante os anos 50, a alta-costura viveu o seu apogeu. Nomes importantes da criação de moda, como o espanhol Cristobal Balenciaga - considerado o grande mestre da alta-costura -, Hubert de Givenchy, Pierre Balmain, Chanel, Madame Grès, Nina Ricci e o próprio Christian Dior, transformaram essa época na mais glamourosa e sofisticada de todas.
Ao lado do sucesso da alta-costura parisiense, os Estados Unidos estavam avançando na direção do ready-to-wear e da confecção. A indústria estadunidense desse setor estava cada vez mais forte, com as técnicas de produção em massa cada vez mais bem desenvolvidas e especializadas. A juventude rebelde adere ao ready-to-wear fazendo uma contraposição à alta costura e ao glamour e consequentemente, ao tradicionalismo.
Essa nova tendência estender-se-ia à Europa e logo o prêt-à-porter nos ateliês dos estilistas começaria a se desenvolver em contraponto à haute couture – que por sua vez não conseguiria manter a mesma abrangência e predominância que obtivera outrora em face a era industrial de confecção, se restringindo a atender uma reduzida elite conservadora que podia bancar os altos preços das roupas sob medida em nome do prestígio e da tradição. Na Inglaterra, por exemplo, empresas como Jaeger, Susan Small e Dereta produziam roupas prêt-à-porter sofisticadas. Na Itália, Emilio Pucci produzia peças separadas em cores fortes e estampadas que faziam sucesso tanto na Europa como nos EUA. Na França, Jacques Fath foi um dos primeiros a se voltar ao prêt-à-porter, ainda em 1948, e logo outros estilistas começaram a acompanhar essa nova tendência, à medida que a alta-costura começou a perder terreno, já no final dos anos 50.
Nessa época, pela primeira vez, as pessoas comuns puderam ter acesso às criações da moda sintonizada com as tendências do momento. A própria corrida espacial e o termo “modernidade” passam a ser utilizados no imaginário social e na construção da moda. A arquitetura também é influenciada por esse novo estilo, assim como o design de carros. O tradicionalismo, antes instaurado pela antiga sociedade do pós-guerra, converte-se numa crescente modernidade nesse período. Dessa forma, a juventude passa a fazer parte de uma relativa massificação, mas não sem buscar sua própria identidade.
Ora, a indústria do jeans passava a crescer. Nesse sentido, a juventude se via massificada mesmo, num primeiro momento. Todos usariam um mesmo estilo de roupa. Porém, é justamente através dessa massificação que se realizará a principal mudança destes jovens. Assim, é a partir desse momento de massificação que o ideário rebelde passa a ser construído. A busca é pela identidade que se pode criar através dessa massificação. A moda começa a ser construída, nesse ponto, como representação individual do jovem rebelde.
O cinema lançou a moda do garoto rebelde, simbolizada por James Dean, no filme "Juventude Transviada" (1955), que usava blusão de couro e jeans. Marlon Brando também sugeria um visual displicente no filme "Um Bonde Chamado Desejo" (1951), transformando a camiseta branca em um símbolo da juventude rebelde que na época da alta costura lança um visual mais “largado” como contestação do que lhes era imposto. Já na Inglaterra, alguns londrinos voltaram a usar o estilo eduardiano, mas com um componente mais agressivo, com longos jaquetões de veludo, coloridos e vistosos, além de um topete enrolado. Eram os "teddy-boys”.
James Dean em “Rebel without a case” de 1955.
MARTINETTI, Ronald. Biografia James Dean. Nova Fronteira. 1996

A partir desses apontamentos, percebe-se que a rebeldia dessa juventude estava principalmente na necessidade de se justificar. Na necessidade de encontrar um caráter em si, de se identificar consigo e não com o que os obrigavam a ser. A relação no mundo da Moda, entendido aqui como fonte de análise, nos revela uma realidade bastante peculiar. É no aproveitamento e na rearticulação do tradicionalismo que se encontra a rebeldia. Afinal, essa rebeldia e seus símbolos são resultados diretos do mundo capitalista emergindo nessa sociedade. Essa nova relação, no espaço do imaginário da moda, cresce e amplia seus, até atingir, em 1960, a Europa, quando passa a contestar uma série de valores. Tal contestação generalizada culminou no movimento rebelde estudantil de 1968.

Cinema: somente no final da década iniciou-se o movimento de revolução e renovação
A rebeldia que se revela nos anos 50 é uma rebeldia ainda ingênua, que se revelava no cinema, por exemplo, com o filme “Juventude Transviada”, o qual conta a história de Jim Starks, um rapaz de 17 anos que se sente incompreendido pelos pais e segue o caminho da arruaça. Apesar de ter o título inspirado em um livro de Psicologia (Rebel without a cause: the Hypnoanalysis of a Criminal Psycopath, de Robert Linder), o filme não ficou famoso pela sua capacidade de análise antropológica, mas sim pela criação de identidades, mitos e modelos de uma juventude que começava a sair da esfera de uma moral rígida.
O movimento juvenil de rebeldia que ganha força na segunda metade dos anos 50 se manifesta no cinema somente no final da década, influenciado pelo início de uma instabilidade política após mais uma década de estabilidade e crescimento econômico das principais potências imperialistas mundiais. O ano de 1959, quando eclode a Revolução Cubana, é também o ano que marca a reabertura da crise capitalista. Essa crise se refletiria nos mais diversos setores da cultura dos principais países do globo.
Na França surgia no final da década de 1950, uma forte reação cultural ao otimismo superficial e a mentalidade conservadora que dominava a sociedade de então. Movimentos como o existencialismo de Sartre, na filosofia; o abstracionismo informal, na pintura e o nouveau roman na literatura, eram manifestações desta crise. No cinema, a principal expressão francesa desta reação é o movimento heterogêneo conhecido como nouvelle vague (a nova onda), que agrupou cineastas das mais diversas tendências, mas que se identificavam com uma idéia em comum: a de que o cinema tal qual se apresentava em sua época precisava ser radicalmente repensado.A linha de frente deste movimento de renovação formava-se pelos críticos de cinema Bazin, Chabrol, Truffaut, Godard, Demis, Rivette, Rohmer e Resnais.
Filmes como “Os Incompreendidos” de Truffaut e “Acossado” de Godard foram centrais para esse movimento, que durou de 1959 até pouco antes da Revolução Estudantil de 1968 – momento diretamente influenciado pela Nouvelle Vague. Amigos inseparáveis, Godard e Truffaut batalharam intensamente contra a mediocridade francesa do pós-guerra, seus filmes inauguraram um novo pensar. A cultura francesa tão rica outrora vinha se desfacelando, e os críticos/cineastas impuseram através dos seus filmes essa nova abordagem para capturar o diálogo arte/espectador que parecia ter se perdido durante os anos trágicos da guerra.

Literatura: o feminismo de Simone de Beauvoir
A década de 50 nos Estados Unidos é marcada pela imagem da mulher dona de casa, que casa cedo e tem filhos. Boa esposa e mãe, essa mulher tinha como principal atividade os afazeres da casa e se encantava com a infinidade de novos eletrodomésticos que vinham surgindo para facilitar o seu trabalho.
No entanto, o movimento rebelde da década de 50 faz ressurgir o feminismo.
A principal responsável por esse novo vigor do movimento feminista foi a intelectual francesa Simone de Beauvoir (1908-1986) que manteve um relacionamento de 50 anos com Jean-Paul Sartre e que em 1949 publica o livro “O segundo Sexo”.
Quando surgiu, em 1949, “O Segundo Sexo” causou tanta admiração quanto estranheza. Era uma obra vasta, dividida em dois volumes, bem documentada e alicerçada na lógica e no conhecimento muito pouco estudado da mente “feminina”. Tendo como missão pôr a nu a condição feminina, explorava áreas ligadas à situação da mulher no mundo, englobando história, filosofia, economia, biologia, etc., bem como alguns “case studies” e algumas experiências particulares. Simone queria demonstrar que a própria noção de feminilidade era uma ficção inventada pelos homens na qual as mulheres consentiam, fosse por estarem pouco treinadas nos rigores do pensamento lógico ou porque calculavam ganhar algo com a sua passividade, perante as fantasias masculinas. No entanto, ao fazê-lo cairiam na armadilha de se auto limitarem. Os homens chamaram a si os terrores e triunfos da transcendência, oferecendo às mulheres segurança e tentando-as com as teorias da aceitação e da dependência, mentindo-lhes ao dizer que tais são características inatas do seu caráter. 3
Ao fugir a este determinismo, Simone abriu as portas a todas as mulheres no sentido de formarem o seu próprio ser e escolherem o seu próprio destino, libertando-se de todas as idéias pré-concebidas e dos mitos pré-estabelecidos que lhe dão pouca ou nenhuma hipótese de escolha. Assim, a mulher, qualquer mulher, deve criar a sua própria vida, mesmo que seja a de cumprir um papel tradicional, se for esse o escolhido por ela e só por ela.
Em uma sociedade ainda sob o choque das profundas alterações provocadas pela Guerra, a posição das mulheres tinha-se fortalecido pela ausência dos homens, mortos, desaparecidos ou ausentes. Mas Simone lançava um alerta dizendo: “… a Idade de Ouro da mulher não passa de um mito… A sociedade sempre foi masculina e o poder político sempre esteve nas mãos dos homens.”. “A humanidade é masculina” observou ela “… e um homem não teria a idéia de escrever um livro sobre a situação peculiar de ser macho… e nunca se preocupa em afirmar a sua identidade como um ser de um determinado gênero; o fato de ser um homem é óbvio” 2. É importante colocar como ponto de partida para o estudo de “O Segundo Sexo” e do resto da obra de Simone de Beauvoir, o fato que ela, apesar de reconhecer que os homens oprimem as mulheres, não deixa de lhes apreciar as capacidades.
As idéias da escritora vieram de encontro à imagem de mulher difundida pelo tradicionalismo do início da década e colaborou para a tomada de consciência de uma juventude que estava dando os primeiros passos para a revolução sessentista.

Música: Elvis e o rock and roll
O rock and roll surge nos Estados Unidos da América no final dos anos 1940 e início dos anos 1950, com raízes em sua maioria em gêneros musicais afro-americanos, e rapidamente se espalha para o resto do mundo.
A juventude dos anos dourados adotou o rock and roll como estilo musical e elegeu grandes ídolos como, por exemplo, o maior deles, Elvis Presley. A nova música com um contratempo acentuado e um ritmo dançante afirmava ainda mais essa rebeldia surgida na década e trazia uma atitude mais revolucionária. Era uma música rebelde para uma juventude rebelde.
Elvis Presley se tornou um dos maiores ídolos da juventude, sendo mundialmente denominado como o Rei do Rock. Em 1956, Elvis tornou-se uma sensação internacional. Com um som e estilo que, uníssonos, sintetizavam suas diversas influências, ameaçavam a sociedade conservadora e repressiva da época e desafiavam os preconceitos múltiplos daqueles idos, Elvis fundou uma nova era e estética em música e cultura populares, consideradas, hoje, "cults" e primordiais, mundialmente.
Elvis Presley 
Miziara, Ana Flávia. Elvis Presley. São Paulo: Roka, 1996.

Suas canções e álbuns transformaram-se em enormes sucessos e alavancaram vendas recordes em todo o mundo. Elvis tornou-se o primeiro "mega star" da música popular, inclusive em termos de marketing. Muitos postulam que essa revolução chamada rock, da qual Elvis foi emblemático, teria sido a última grande revolução cultural do século XX, já que as bandas, cantores e compositores que surgiram nas décadas seguintes - e que fizeram muito sucesso - foram influenciados, direta ou indiretamente por Elvis.

Uma rápida conclusão desse estudo nos remete ao problema de se identificar uma rebeldia nesse momento de transição – o do tradicionalismo a uma juventude rebelde dos anos 60. Tentamos provar nesse texto a existência dessa rebeldia. O que poderia resumir a rebeldia desses jovens é a busca por identidades. Se, por um lado, eles sofrem todas as conseqüências do retorno do tradicionalismo, da Guerra Fria e do ideário dos anos dourados; essa mesma juventude vai utilizar-se dessas armas para mostrarem ao mundo os seus anseios por identidade. Logo, a construção da rebeldia reside nessa busca por identidade através de meios altamente tradicionais. O paralelismo entre juventude e tradicionalismo é tão forte que, num primeiro momento, não enxergamos essas diferenças. Porém, se não houvesse tamanha busca por identificação, Elvis Presley não seria o rei do Rock, tampouco James Dean conservar-se-ia em nosso imaginário desde a sua morte. Como foi já dito, a juventude dessa década não elaborou seus planos utópicos; todavia, será na década seguinte que ela amadurecerá e encontrará sua voz política contestadora.

Nota
(1)
 Traduzem-se: “American Dream” – Sonho americano; e “American way of of life” – Estilo americano de vida.

Filmes sugeridos:

1. Juventude Transviada
2. Os incompreendidos
Fonte: http://texto2-rej.blogspot.com.br/ 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Um dia na vida do Perfeito Idiota Brasileiro


O texto abaixo é uma versão revisada, atualizada e abrasileirada do Manual do Perfeito Idiota Latino-americano, dos anos 1990.
PIB. Chamemos de PIB. O Perfeito Idiota Brasileiro.
Vamos descrever o dia do PIB. Vinte e quatro horas na vida de um PIB para que os pósteros, a posteridade, tenham uma idéia do Brasil de 2012.
Ele acorda às sete horas da manhã. Tem que preparar o próprio café da manhã. Já faz alguns anos que sua mulher parou de fazer isso para ele, e ficou caro demais para ele pagar uma empregada doméstica.
Ele lamenta isso.  Era bom quando havia uma multidão de nordestinas sem instrução nenhuma que saíam de suas cidades por falta de perspectiva e iam dar no Sul, onde acabavam virando domésticas.
PIB dá um suspiro de saudade. Chegou a ter uma faxineira e uma cozinheira nos velhos e bons tempos. Num certo momento, PIB percebeu que as coisas começaram a ficar mais difíceis. Havia menos mulheres dispostas a trabalhar como domésticas, e os salários foram ficando absurdos.
Para piorar ainda mais as coisas, ao contrário do que sempre acontecera, a última empregada de PIB recusou votar no candidato que ele indicou.
Mulherzinha metida.
Foi por coisas assim que PIB aderiu ao movimento  Cansei, ao lado de ativistas notáveis como Boris Casoy, Hebe Camargo, Agnaldo Rayol e João Dória Júnior. Empolgante o Cansei. PIB quase fora a uma manifestação. Só desistiu porque era sábado e sábado a feijoada era sagrada. O protesto com certeza fora um sucesso.
O povo unido jamais será vencido.
PIB tomou o café na cozinha, com o Globo nas mãos. Assinava o jornal fazia muitos anos. Se todos os brasileiros fossem como o Doutor Roberto Marinho, PIB pensou, hoje seríamos os Estados Unidos. Bonito o choro do Bonner ao anunciar no Jornal Nacional a morte de Roberto Marinho.
Por que ainda não ergueram estátuas para ele?
Com o Globo, PIB iniciou sua sessão de leituras matinais. Mais ou menos quarenta minutos, antes de ir para o escritório.
Leu Merval. Quer dizer, leu o primeiro parágrafo e mais o título porque naquele dia o texto, embora magnífico, estava longo demais. Havia um artigo de Ali Kamel. “Um cabeça”, pensou PIB. “Deve ter o QI do Einstein.” Mas também aquele artigo –embora brilhante, um tratado perfeito sobre o assistencialismo ou talvez sobre o absurdo das cotas, PIB já não sabia precisar — parecia um pouco mais comprido do que o habitual. Deixou para terminar a leitura à noite.
PIB vibrou porque, se não bastassem Merval e Kamel, havia ainda Jabor.
Um gênio. Largou o cinema para iluminar o Brasil com sua prosa espetacular. Um verdadeiro santo. Podia estar com a sala da casa cheia de Oscar.
Começou a ler Jabor e refletiu. “Impressão minha ou hoje aumentaram o tamanho do Jabor?” PIB sacudiu a cabeça, na solidão da cozinha, num gesto de reverência extrema por Jabor, mas também achou melhor deixar para ler mais tarde. Era seu dia de sorte. Também o historiador Marco Antônio Villa estava no Globo. “Os primeiros 18 meses do governo Dilma foram fracassos sobre fracassos” era a primeira linha. Bastava. Villa sempre surpreendia com pensamentos que fugiam do lugar comum.
Como uma terrorista chegou ao poder? Bem, tenho que comprar algum livro de história do Villa. Ele com certeza escreveu vários.
Completou a sessão de leituras da manhã na internet. Leu Reinaldo Azevedo.  Quer dizer, naquela manhã, leu um parágrafo. Na verdade, metade. Menos. O título. Não importava. Azevedo era capaz de mesmerizar toda uma nação com a luz cintilante de meia dúzia entre milhares de linhas que produzia incessantemente. PIB deixava escapar um sorriso de admiração a cada vez que li a palavra “petralha” em Azevedo.
Rei é rei. Um cabeça pensante. Por que será que não ocorreu a nenhum presidente da República contratar esse homem como assessor especial? Se o Brasil bobear, a Casa Branca vem e contrata.
Debate é assim.Medalhinha. Chamar um tal de Nassif de Nassífilis. PIB julgava FHC um banana. Não sabia debater. Bananão. Como FHC podia dizer coisas assim? “Eu não estou aqui para ver o PT se arrebentar. O Brasil precisa de partidos que tenham uma certa história, e o PT tem.” Isso em 2005, quando era o momento de derrubar o lulopetismo. E essa outra? “Por que o mensalão se tornou conhecido? Porque o Roberto Jefferson teatralizou o mensalão.” E essa então? “O Lula, ao invés de renunciar e desistir, disse: eu vou brigar. O Lula foi decisivo naquele momento, em dissipar o mensalão.”
Ba-na-não! Graças a Deus já passou dos 80 e não pode mais atrapalhar o Brasil. O campo ficou livre para o Serra e o Aécio!
Ainda na internet, uma passagem pelo Blog do Noblat. Naquele dia, no blog havia uma coluna assinada por Demóstenes. PIB deu parabéns mentais a Noblat por abrir espaço a Demóstenes, nosso campeão mundial da moralidade, nosso Catão. PIB guardara um texto de Demetrio Magnolli, outro cérebro avançado, em que este prestava um justo tributo à nossa reserva moral no senado. Saíra na edição das 100 pessoas mais influentes da revista Época. Anotou um trecho: “Não é preciso concordar com tudo que ele fala ou faz para homenageá-lo. Demósteneses não é mais um comerciante num mercado em que se trafica influência em troca de cargos ou privilégios. Ele tem princípios e convicções.”
Por que falam tanto do tal do Assange e do Wikileaks quando temos tantos caras muito melhores?
A caminho do trabalho, PIB ligou na CBN. Ouviu uma entrevista com o filósofo Luiz Felipe Pondé. “Meu pequeno carro não contribui para o aquecimento do planeta”, disse Pondé, o nosso Sócrates, o Aristóteles verde-amarelo. Pondé ganhara imediatamente a admiração de PIB quando reclamara dos pobres que estavam congestionando os aeroportos. A última vez que viajara para Miami ficara revoltado com as pessoas inferiores que iam voar.
Bem, preciso anotar aquela. Meu pequeno carro não contribui para o aquecimento global.
Isso o levou a reparar nos ciclistas nas ruas de São Paulo. Cada dia parecia haver mais. Mau sinal. Havia muitas bicicletas no trajeto. PIB sentiu vontade de atropelá-las em grupo e fazer um strike. Odiava ciclistas. Atrapalhavam os motoristas. Tivera vontade de vomitar quando vira a foto de um ciclista inglês de bunda de fora — branca e mole como um pudim —  numa marcha nudista por mais espaço e segurança em Londres para as bicicletas.
Abria uma única exceção: Soninha. Desde que ela continuasse a posar pelada em nome das bicicletas.
Hahaha. Hohoho.
Na CBN ouviu também informações e comentários sobre o mundo. “Prestígio em Paris dá vantagem a Sarkozy nas eleições presidenciais”, a CBN avisou. PIB admirava Sarkozy. Proibir a burca foi um gesto histórico. As muçulmanas deveriam ser gratas a Sarkozy. Elas haveriam de votar maciçamente nele para dar a ele o segundo mandato para o qual a CBN dizia que ele era o favorito.
Os maridos obrigam as coitadas a usar burca.
O tema do islamismo estava ainda em sua mente quando se instalou em seu cubículo de gerente na empresa. PIB refletiu sobre o mundo. Tinha lido em algum lugar que no Afeganistão as pessoas queriam que os soldados americanos fossem embora.  Os afegãos estavam queimando bandeiras dos Estados Unidos. A mesma coisa estava ocorrendo no Iraque. E no Iêmen. Em todo o Oriente Médio, fora Israel.
Ingratos. Como eles não percebem que os Estados Unidos estão lá para promover a democracia e levar a civilização? Os americanos estão acima de interesses mesquinhos por coisas como o petróleo.
Era um perigo o avanço muçulmano. Não que apoiasse, mas PIB entendia o norueguês que matara 77 pessoas por considerar que o governo de seu país era leniente demais com os muçulmanos.
A raça branca está em perigo.
Entretido em salvar a raça branca, PIB não percebeu o tempo passar. Só notou pela fome que já era hora de comer. A opção, mais uma vez, foi pelo Big Mac do shopping, e mais a Coca dupla. Detestava os ativistas dos direitos dos animais porque combatiam os Big Macs. PIB estava tecnicamente obeso, mas na semana que vem iniciaria uma dieta e começaria também a se exercitar.
Fim do expediente. A estagiária estava com um decote particularmente ousado. Talvez estivesse sem sutiã. PIB a chamou algumas vezes para discutir assuntos que na verdade não tinham por que ser discutidos. A questão era olhá-la. Valeu o dia, refletiu. Home office é uma bobagem porque não permite esse tipo de coisa: olhar para meninas gostosas no escritório.
Na volta, mais uma vez foi tomado pela tentação de atropelar os ciclistas. “Quando você deseja muito uma coisa, todo o universo conspira a seu favor”. PIB se lembrou da frase de seu escritor favorito, Paulo Coelho. Então ele desejou muito que as bicicletas sumissem.
Xiitas. 
Algum colunista escrevera isso sobre os ciclistas. PIB não lembrava quem era, mas concordava inteiramente. Os ciclistas são gente esquisita que deve fazer ioga e praticar meditação, suspeitava PIB.
Tudo gay!
Já incorporara para si mesmo a frase genial de Pondé.
Meu carro pequeno não contribui para o aquecimento global.
No churrasco de domingo, ia soltar essa. Teve um breve lapso de inquietação quando se deu conta de que os brasileiros que tanto contribuíam para a elevação do pensamento nacional já não eram tão novos assim, O próprio Merval era imortal apenas pela sua contribuição às letras, reconhecida pela Academia. Então lhe veio à cabeça a juventude sábia e influente de Luciano Huck, e ficou mais sossegado.
A mulher não percebeu quando ele chegou. Não era culpa dela. A televisão estava ligada com som alto na novela da Globo. PIB lera várias vezes que as novelas tinham uma “missão civilizadora” no Brasil. Mais uma dívida dos brasileiros perante Roberto Marinho: a perpetuação das novelas cvilizadoras. A mídia impressa brasileira reconhecia a missão civilizadora na forma de uma cobertura maravilhosa das novelas. Uma vez um leitor da Folha reclamou por encontrar na Ilustrada seis artigos sobre novelas.
O brasileiro só sabe reclamar. E reivindicar. Uma besta!
PIB deu um alô que não foi ouvido. Ou pensou ter dado. Sentou ao lado da mulher, e o silêncio confirmou para ele sua tese: depois de muitos anos de casamento as pessoas se entendem tão bem que não precisam trocar uma só palavra. Nem se tocar. É quando o casamento chega ao estágio da perfeição: ninguém tem que fazer nada. É o estágio superior em que o matrimônio se santifica pela ausência do sexo. A cada quinze dias, PIB tomava Viagra e descarregava as tensões sexuais com uma escorte que cobrava 400 reais.
Tá barato. Um dia ela topa beijar!
Não ligava muito para as novelas civiizadoras. Mas soubera no escritório que Juliana Paes aparecia de vez em quando pelada. Passou por sua cabeça um pensamento rápido.
Talvez eu devesse pedir para a patroa me avisar quando a Juliana Paes ficar sem roupa.
Terminada a novela, era a sua vez na televisão. Futebol. Bacana o futebol passar bem tarde, depois da novela. Provavelmente a Globo pensara nisso para ajudar os pobres que moravam longe e demoravam horas para chegar em casa depois do trabalho.
“Boa noite, amigos da Globo!”
A voz do Brasil se apresentou. “The voice”, pensou PIB em inglês.
Um carisma total o Galvão. Subaproveitado. Devia estar no Ministério da Economia, e não narrando escanteios e tiros de meta.
PIB lera que Galvão estava morando em Mônaco. Sabichão. Ficava muito mais fácil, assim, cobrir a Fórmula 1. Nunca alguém da estatura moral de Galvão optaria por Mônaco para não pagar imposto. Galvão certamente faria bonito na Dança dos Famosos de seu amigo Fausto Silva, o Faustão, outro civilizador, especulou PIB em sua mente criativa.
PIB não torcia a rigor para time nenhum. Era, essencialmente, anticorintiano. Com seu segundo saco saco de pipocas na mão, viu, contrariado, o Corinthians vencer.
Amanhã os boys vão estar insuportáveis.
PIB queria muito ver o Jô.
Era um final de dia perfeito, ainda mais porque antes havia o aperitivo representado por William Waack. PIB achava um privilegio poder ver Waack não apenas na Globo como na Globonews. Os Marinhos podiam cobrar pela Globonews, mas não faziam isso para proporcionar cultura de graça aos brasileiros. PIB zapeava quando Waack dava suas lições na televisão, em busca quem sabe de uma mulher pelada no horário tardio, mas os fragmentos que pescava eram suficientes.
Jô. Não posso perder Jô. Uma enciclopédia. Podia ser editorislista do Estadão. Hoje ele vai entrevistar o Mainardi!
Manhattan Connection era simplesmente obrigatório, embora PIB o dividisse com vários outros enquanto manejava o controle remoto.  Outro dia PIB vira um cara que merecia atenção: Marcelo Madureira. Com sua memória fotográfica, PIB instantaneamente o reconheceu: trabalhara como humorista na Praça da Alegria. Ou na Zorra Total?

PIB bem que queria ver Jô. Ou pelo menos incluí-lo no zapeamento. Duas palavras de Jô valiam por mil das pessoas normais. Faziam você pensar e, além do mais, rir porque o cara tinha um estoque ilimitado de piadas.
Não vejo graça nenhuma no Woody Allen. Mas em compensação o Jô!
Mas não foi possível ver o gordo que ensina e alegra milhões de brasileiros.
PIB acabou dormindo no sofá, do qual sua mulher achou preferível não o tirar, e onde ele roncou tão alto quanto o som da tevê — e teve, como sempre, o sono límpido, impoluto, irreprochável dos perfeitos idiotas.

Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/um-dia-na-vida-do-perfeito-idiota-brasileiro/ 

                                                                 

domingo, 13 de janeiro de 2013

Juventude: anos 80, anos 2000.


Vai levar tempo o que tempo levou para ser construído ou desconstruído. Falo da juventude de ontem e de hoje. Acaba de ser lançado um filme-documentário – PRO DIA NASCER FELIZ – que, a partir da escola, ouve a voz dos jovens 2000, situando-os em suas realidades, Pernambuco e São Paulo, classe pobre, classe média, classe alta, com escolas semelhantes ao nível social da população. Todos se perguntam sobre o que está acontecendo com a nossa juventude. Por que é assim, violência muitas vezes à flor da pele, pouca capacidade de pensar, poucas mostras de criatividade, um sem sentido na vida, uma desesperança? Que será destes jovens amanhã, depois de amanhã, qual seu futuro?
Se voltarmos pra trás, final dos anos 70 e anos 80, as coisas eram ou pareciam diferentes: jovens com engajamento político, presentes nos grupos de jovens, participantes dos movimentos sociais, cheios de vida e esperança. Eram os jovens gerados pela ditadura. Tinham pouca liberdade, a democracia andava esmagada, o ar para respirar era pouco. Por isso, era preciso lutar, se organizar. Fazia sentido ‘militar’, ser militante, palavras fortes da época. O militante esquecia família, objetivos pessoais, questões menores do dia a dia. Era  construtor do novo e do futuro.
Os jovens foram ativos nas Diretas-Já, foram protagonistas no impeachment de Collor. Não tinham medo de estar na rua, de estar do lado da dignidade e da transformação econômico-social. E se faziam presentes nas pastorais sociais, nos movimentos sociais então incipientes, nas oposições sindicais, nos movimentos de bairros, nas lutas populares. Era tempo de construção. As Universidades fervilhavam, como as Comunidades Eclesiais de Base e os movimentos de luta pela terra que se constituíam. Tinha sentido lutar, tinha sentido doar-se. Anunciava-se algo novo, as possibilidades eram muitas, valia a pena doar parte do tempo, do cotidiano, havia sonhos e utopias.
Os jovens dos anos 2000 são gerados no ventre do capitalismo neoliberal, a partir do início dos anos 90, são as crianças de ontem que viam e viviam a luta dos pais pela sobrevivência. São marcados pela ausência, pela falta de. Primeiro, o desemprego em massa que atingiu todos, pobres, classe média. Depois, o esvaziamento de valores humanos, substituídos pelo individualismo exacerbado, pelo consumismo. “Quem pode mais chora menos”.
O pensamento neoliberal não estimula a solidariedade. Ao contrário, provoca e estimula a competição, afinal o mercado é dos mais fortes, permanece no mercado quem tem competência. O vale-tudo impera. Não há mais sentido em lutar pelo outro ou junto com os outros. Para que se doar, para que participar de associações solidárias? Quando muito, rezo para meu deus resolver os meus problemas imediatos. Cuido das minhas coisas e os outros que se danem. O negócio é ganhar dinheiro e sobreviver, o resto não importa. Daí à violência, porque o desemprego impera, e à droga, porque o sem sentido venceu, é um passo.
Os jovens de hoje são frutos destes 15, 20 anos onde a humanidade e o Brasil entraram numa rota de vazio individualista, marcado pela guerra, pela violência e pela criminalidade. Vai levar tempo para recuperar este tempo. As crianças de hoje,  adolescentes e jovens daqui a uma ou duas décadas, têm chance de crescer sob novos valores, de construir/reconstruir sonhos, de ver que a vida não é só mercado, que é inaceitável o aquecimento global e a destruição da natureza, frutos dos desatinos de uma época sem ética, que só busca o acúmulo e o lucro, despreocupada com o amanhã. Formação de base, (re)educação nas escolas, construção de outros valores na sociedade, compromisso com governos que apontem perspectivas fazem parte de uma jornada que, seguramente, demandará muito trabalho, para a qual nós, um pouco mais velhos e tornados sonhadores quando jovens, não nos furtaremos a dar parte do nosso tempo, da nossa energia. Afinal, há que acreditar no homem e mulher novos e na possibilidade de um mundo e uma sociedade justos e igualitários. A situação como está é que não pode continuar por muito mais tempo.

Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=27400 

Selvino Heck
Assessor Especial do Presidente da República do Brasil. Da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Declaração da Arquidiocese de Mariana diante dos impactos da atividade mineradora e industrial


O crescimento da atividade mineradora e industrial em grande parte da região compreendida pela Arquidiocese de Mariana, com suas múltiplas consequências, motiva a presente declaração, por ocasião da celebração do Jubileu do Senhor Bom Jesus, na cidade de Congonhas. Como Pastor desta porção do rebanho de Cristo,  dirijo-me às autoridades, aos empresários e a todos os cidadãos comprometidos com o bem comum, reafirmando, à luz dos princípios éticos e cristãos, a posição da Igreja em defesa da vida, em favor da preservação do meio ambiente e da conservação do nosso patrimônio histórico, artístico, cultural e religioso.
Mesmo reconhecendo o progresso, impulsionado em grande parte pelo avanço científico e tecnológico, que gera emprego, renda e recursos econômicos e financeiros, não podemos desconhecer o risco dos impactos causados à qualidade de vida de nosso povo, ao meio ambiente e à preservação de seu precioso patrimônio. Tais impactos são, muitas vezes, ignorados em nome do desenvolvimento econômico. Em sua encíclica Populorum Progressio, dizia o Papa Paulo VI: “o desenvolvimento não se reduz a um simples crescimento econômico e, para ser autêntico, deve ser integral, isto é, deve promover o ser humano todo e todos os seres humanos” (cf. PP 14).
O progresso, portanto, deve ser regulado não apenas pelas leis da economia e do mercado, mas também por princípios éticos e morais que permitam um desenvolvimento sustentável, com responsabilidade social. Toda atividade mineradora e industrial deve ter como parâmetro o bem estar da pessoa humana, buscando a superação dos impactos negativos sobre a vida em todas as suas formas e a preservação do planeta, com respeito ao meio ambiente, à biodiversidade e ao uso responsável das riquezas naturais. É preciso empregar todos os esforços para manter viva a natureza, preservar os mananciais e as nascentes, garantir o habitat dos seres vivos e defender as espécies ameaçadas de extinção.  Com sabedoria ensina-nos o Papa João Paulo II: “A programação do desenvolvimento econômico deve considerar atentamente a necessidade de respeitar a integridade e os ritmos da natureza, já que os recursos naturais são limitados e alguns não são renováveis” (cf. SRS, n. 26). Além da defesa do meio ambiente, é de fundamental importância que se garanta o respeito à vida humana em todas as suas dimensões e em todas as suas fases, desde a concepção até o seu término natural, e se promova a “ecologia humana”, conforme a expressão do Papa João Paulo II.
Diante dos grandes investimentos econômicos que transformam várias cidades desta Arquidiocese, os cidadãos, por meio de mecanismos de controle social, como os conselhos municipais, têm direito a reivindicar melhorias sociais e ambientais, a cobrar medidas eficazes que atendam às prioridades defendidas pela comunidade, a exigir que os impostos sejam devidamente aplicados em sua finalidade e a lutar por medidas que garantam o respeito à dignidade de todos, com especial atenção aos trabalhadores e suas famílias. Preocupa-nos, de modo particular, a situação das famílias forçadas a deixarem suas casas e suas terras (às vezes sem receberem indenização justa) ou atraídas pela ilusão do dinheiro da desapropriação. Para defender a vida, medidas urgentes precisam também ser tomadas em relação às condições das rodovias e à segurança no trânsito, especialmente nessa região.
A Igreja Católica é depositária e guardiã de enorme parte do patrimônio histórico e artístico do Brasil, cuja preservação é responsabilidade de todos. Na cidade de Congonhas, a Arquidiocese de Mariana é proprietária de importantes obras reconhecidas pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade, entre as quais se incluem as capelas dos passos, as estátuas dos profetas, o Santuário do Senhor Bom Jesus com seu entorno e a Praça dos Romeiros. A Igreja tem consciência da importância histórica, artística e cultural desse acervo, e reafirma que se trata, antes de tudo, de autêntico patrimônio religioso, expressão de fé daqueles que edificaram esse lugar sagrado, espaço privilegiado de manifestações da devoção e piedade de nosso povo e dos numerosos romeiros vindos de tantas partes de Minas Gerais, de outros Estados e do exterior. A utilização desse espaço não é incompatível com a atividade turística, desde que sejam respeitadas suas finalidades originais e sua destinação religiosa. A Arquidiocese de Mariana, atenta ao desenvolvimento dessa região, reafirma que a atividade industrial e a exploração mineradora devem respeitar esses bens culturais e contribuir para sua conveniente preservação.
Por intercessão de Nossa Senhora da Piedade, Padroeira de Minas Gerais, imploramos ao Senhor Bom Jesus que derrame suas bênçãos sobre todos nós e nos ajude a promover a vida, a preservar o meio ambiente, a proteger o patrimônio histórico, artístico, cultural e religioso de Congonhas e demais municípios desta bela e rica região de nosso Estado, dom de Deus e obra da criação humana.
Congonhas, 14 de setembro de 2012 
Jubileu do Senhor Bom Jesus 
+Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo Metropolitano

domingo, 16 de setembro de 2012

QUEREMOS UM ESTADO A SERVIÇO DA NAÇÃO



QUE GARANTA DIREITOS A TODA POPULAÇÃO!

Apenas um ponto de vista:

Parece piada! Mas já é lei e está na Constituição Federal, sendo o artigo 3º.
Sob o título: 
"Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação".

A faixa etária de 15 a 29 anos, que compreende a fase juvenil, é marcada pela ousadia, criatividade, alegria e esperança, esta mesma fase tem sido fortemente marcada pela violência e exclusão.

Quando falamos em violência contra JUVENTUDE, falamos em:
Desemprego, educação sem qualidade.... 

E se tratando de Juventude, que Estado temos?
Temos um Estado que contribui fortemente com a violência e o extermínio de jovens, um Estado que se cala diante de tantas injustiças e diversas formas de exclusão severamente presente em nossas realidades locais. Temos um Estado que não pensa políticas públicas com a Juventude , no máximo pensa políticas para a juventude, mas estas não tem tido resultados eficientes, pois o Estado não conhece e  o atual modelo não permite conhecer a Juventude como ela realmente é, os seus desafios, sonhos e anseios, não são reconhecidos. Pois este modelo favorece o individualismo, seguido pelo consumismo exacerbado. Onde o ser humano é identificado e qualificado pelo que se tem e sua condição como pessoa é descartada, pois sua integridade é medida pela sua raça, classe social e situação econômica. Onde o jovem pobre, favelado, negro, desempregado são reconhecidos como marginais.
Já os ricos, sarados, vestidos com adereços de marcas, de famílias tradicionais, moradores  de  palácios, educados em instituições renomadas, garantem ótimas oportunidades de emprego e são reconhecidos como juventude modelo.
O atual modelo de Estado sacraliza o poder,  ofuscando e negando a participação popular, atrás de um rótulo de País Democrático, a democracia é tanta e tamanha que precisamos de criar campanhas contra o crack, contra a violência, contra a homofobia, precisamos gritar por moradia, melhores condições de trabalho, sobretudo na área da Educação.
A mídia dá enfoque a Cracolândia, ao tráfico de drogas nas favelas e periferas,  caracterizando na maiorias das vezes os jovens como sujeito nestes espaços. Suas imagens são amplamente divulgadas tendo sempre cor e endereço certo, pois mais uma vez o preconceito e a discriminação gritam forte!
Essa situação coloca a escola perante a um grande desafio, entre muitos outros, é preciso abordar esses assuntos, por mais arriscados e polêmicos que sejam, as drogas estão muito acessíveis, o desejo de acompanhar a tal moda também, mas a maioria da população jovem não vive a realidade da juventude que a novela malhação apresenta.
Contudo, é preciso que as escolas criem espaços de discussão e diálogo, levando em consideração a diversidade cultural, questões de gênero, drogas, trabalho, prostituição, economia solidária, sustentabilidade, conscientização política, tecnologia, e etc... Assuntos que são realmente presente na vida do jovem! Assim será possível, conhecer os reais desafios e potencialidades da população juvenil, e consequentemente garantirá uma participação expressiva e efetiva de cada jovem nos espaços de diálogos seja nas escolas de educação básica, seja nas escolas de ensino superior, pois a juventude deseja participar, quanto sujeito, não como meros espectadores. Muitas vezes a falta de participação social, está atrelada as questões rotineiras onde os jovens são impedidos de falar, pois é julgado como indivíduo de pouca experiência! Precisamos mudar essa consciência social e compreender que cada individuo traz consigo conhecimento e experiência adquiridos ao longo da vida e que acoplados serão um grande alicerce para a mudança, ousadia, criatividade, dinamismo atrelado a experiência é sem dúvida uma peça de emgrenagem rumo a transformação, e tudo isso é possível se índios, brancos, negros, homens, mulheres, jovens, idosos, ricos e pobres tornarem a sociedade um espaço onde as diferenças sejam respeitadas e os direitos garantidos, onde caia por terra o terra o termo: “Somos todos iguais” e o Grito se torne real: “Somos diferentes, e temos o mesmos direitos e deveres quanto pessoa”.
Visto que, mais do que acumular uma carga cada vez mais pesada de conhecimentos, o importante é estar apto para aproveitar, do começo ao fim da vida, as oportunidades de aprofundar, enriquecer e aprimorar esses conhecimentos num mundo em permanente e acelerada mudança, mas esse exercício de conscientizar é função de todos e de forma especial do Estado por meio da educação. No entanto é certo que o sistema educacional vigente não se preocupa em formar cidadãos conscientes e sim mão de obra para servir ao mercado capitalista, que explora e explora, sobre tudo porque grande parte da população vem sendo ao longo dos tempos educada para vender a força do seu trabalho a preço de banana e ficar calada, pois as ameaças e o medo a cerca do desemprego permeia a vida da classe trabalhadora. Onde manda quem pode e obedece quem tem juízo, e quem questiona tem sua cabeça coloca em cheque. Este é o estado que aceitamos ter!  
Esse cenário atesta a urgência não apenas de políticas voltadas ao crescimento em todos os campos para o nosso país, é importante ressaltar que não adianta ser o 6º país no quesito Economia, e o 84º (octogésimo quarto) no IDH? Precisamos refletir coletivamente essa disparidade.
Assim fica evidente, a necessidade de ampliar programas e projetos sociais que favoreçam a capacitação intelectual crítica, no campo profissional, social e econômico para que os jovens, sobretudo vislumbrando o ingresso desses no mercado de trabalho,  não sejam objetos de manobras e sujeitos explorados, mas que possam desenvolver habilidades que contribuam para a construção da sociedade do bem viver, onde se valoriza a pessoa humana e a coletividade, onde as condições de trabalho sejam humanizadas, e o acumulo de capital seja no máximo consequência de um processo sadio, e os bens conquistados sejam divididos.
No entanto, o ingresso no mundo do trabalho constitui-se, tradicionalmente, em um dos principais marcos da passagem da condição juvenil para a vida adulta.  Contudo, nas últimas décadas, em funções de intensas transformações produtivas e sociais, ocorreram mudanças nos padrões de transição de uma condição à outra. O diagnóstico dominante aponta para as enormes dificuldades dos jovens em conseguir uma ocupação, principalmente em obter o primeiro emprego, dado o aumento da competitividade, da demanda por experiência e por qualificação no mercado de trabalho. Com isso, a transição para a vida adulta tem sido retardada. Existe uma convicção generalizada de que é necessário desenvolver programas e ações que melhorem a situação atual, levando-se em conta o aumento da vulnerabilidade deste grupo social, a limitada oferta de oportunidades, e as especificidades da condição juvenil contemporânea. O desemprego entre os jovens brasileiros é significativamente superior ao do restante da população.
Diante de um cenário de altas taxas desemprego, e de desestruturação e precarização do trabalho, como a juventude expressam inseguranças e angústias ao falar das expectativas em relação ao trabalho, no presente e no futuro. Eles vivenciam, de modo sofrido e dramático, o que alguns estudiosos têm chamado de “medo de sobrar”
A JUVENTUDE NÃO É O FUTURO E SIM O PRESENTE QUE PODE TRANSFORMAR A REALIDADE, E POTENCIALIZAR UM FUTURO MELHOR!

domingo, 2 de setembro de 2012

Seminário: A COR DA JUVENTUDE!




“Se a Juventude viesse a faltar, o rosto de Deus iria mudar”.

É com imensa alegria e ousadia que a Pastoral da Juventude (PJ) da Paróquia de Santa Efigênia realizou no dia 26/08/2012, o seminário com o Tema: “A COR DA JUVENTUDE!“ Esse seminário contou com a participação de aproximadamente 60 jovens da cidade de Ouro Preto, estes que foram chamados a refletir sobre sua atuação como agente protagonista buscando edificar sobre este chão manchado por sangue a tão sonhada e possível civilização do amor.
Este seminário foi pensado para toda a população jovem da cidade de Ouro Preto e embora a participação não tenha sido tão numerosa, temos certeza de que o objetivo principal foi atingido. A PJ acredita que este é um passo fundamental para formar novos grupos de base e fortalecer os já existentes em nossa cidade, bem como acreditamos que o processo de formação integral proposto pela PJ pode ser um grande aliado no combate ao extermínio constante de jovens.
Esta atividade teve início ás 08:00 da manhã com um delicioso e animado café comunitário, logo em seguida os jovens vivenciaram um momento de oração coletiva inspirados pelo evangelista Marcos, quem nos orientou sobre a importância de manter firme na fé, e não ter medo de fazer o Reino acontecer.
O trabalho coletivo é sempre um grande aprendizado, sendo assim, além da troca de experiência contamos também com oficinas temáticas: Juventude e Arte, assessorada por Francisco Kellys; Espiritualidade, assessorada por Murilo Araújo; e Assessoria, assessorada por Wilson Ferreira.
Já na parte da tarde, depois do almoço, tivemos uma belíssima e criativa apresentação dos trabalhos realizados nas oficinas. Assim a oficina de Assessoria propôs um gesto concreto, sendo: a criação de uma rede de assessores municipal, proposta aceita com alegria por todos, tendo em vista tal necessidade.  Logo em seguida, para encerrar, tivemos um super show com a Banda "The Other Side", formada por jovens da própria PJ da Paróquia de Santa Efigênia.
No entanto, é importante ressaltar, que varias mãos e corações se uniram para fazer acontecer este seminário. A toda equipe de voluntários e organização nossos sinceros agradecimentos.













Colaborou: Bruna Monalisa, Juliana Almeida e Paula Ramalho

Fonte:

Seminários municipais preparam a população para o Grito dos Excluídos e a 5ª Semana Social Brasileira



Por iniciativa da Igreja Católica, com o apoio da Dimensão Sociopolítica, em função da realização do Grito dos Excluídos visando a 5ª Semana Social Brasileira, a Região Mariana Norte vem realizando encontros de sensibilização nas cidades em prol destes dois eventos. Na noite desta terça-feira, 21, mais de 70 pessoas, representantes de diversos seguimentos da sociedade, participaram do evento na cidade de Mariana, no Centro de Convenções.
Com assessoria do padre Marcelo Moreira Santiago, coordenador arquidiocesano de pastoral, Mariana foi a segunda cidade, entre os seis municípios pertencentes a esta Região Pastoral, a acolher este momento de reflexão. O primeiro deles aconteceu na cidade de Ouro Preto, na última segunda-feira, 20.
Segundo padre Marcelo, estes encontros, uma espécie de seminário preparatório, têm como objetivo ser um ambiente de discussão e debate democrático, com a intenção de clarear as ideias propostas pelo Grito dos Excluídos e da 5ª Semana Social Brasileira, que este ano discutem temática similar: o Estado que queremos, ou ainda, “Estado para quem e para quê?”. O coordenador ressalta que uma das intenções da Semana é ser espaço de participação, refletindo o papel do Estado brasileiro, conscientizando principalmente os cristãos.
Para isso, encontros como estes são importantes. “Esse é um primeiro momento, uma espécie de aperitivo em preparação rumo à 5ª Semana Social Brasileira”, recordou padre Marcelo enfatizando a mobilização e participação dos cidadãos, inicialmente, no Grito dos Excluídos, no próximo dia 7 de setembro, em Congonhas. Convite este que foi reforçado pela representante da Pastoral da Juventude arquidiocesana, Bruna Monalisa.
Na programação, as próximas cidades a receber esta mobilização são: Barão de Cocais e Cachoeira do Campo (igreja Mercês), nesta quarta-feira (22); Itabirito (Centro de Pastoral) e Passagem de Mariana (no Salão Paroquial), dia 23; e no dia 30, em Santa Bárbara e Catas Altas. Sempre às 19 horas.
Participaram da reunião candidatos ao pleito municipal, representantes das comunidades paroquiais, das escolas, igrejas, movimentos sociais e pastorais (Dízimo, PJ, Familiar, Sóciotransformadora, Acolhida, Carcerária), imprensa e diversos outros seguimentos da sociedade civil.
Deste encontro foi constituída uma equipe representativa que irá se somar aos demais grupos provenientes das outras cidades com o intuito de levar adiante este debate. Além disso, os presentes saíram com três importantes passos. O primeiro deles, mobilizar um número satisfatório de pessoas do município que possam participar ativamente do próximo Grito dos Excluídos, em Congonhas. Em segundo, garantir que estas pessoas estejam bem informadas de sua representação no evento do dia 7 de setembro. E, por último, fazer com que outros momentos como esse aconteçam, em preparação à 5ª Semana, para que a participação da população seja consciente durante as atividades desta Semana que tem data para ser realizada de 22 a 25 de maio de 2013.
Confira, na íntegra, o material apresentado pelo padre Marcelo Santiago durante o seminário em Mariana. Clique aqui.
Semanas Sociais
As Semanas Sociais têm desempenhado um papel significativo na ação evangelizadora da Igreja. Assim como as pastorais sociais, contribuem para intensificar a presença pública da Igreja objetivando a transformação da sociedade.
O campo de reflexão das Semanas Sociais tem um recorte necessário: a participação dos cristãos nas decisões sobre os rumos da sociedade brasileira. Contribuem de forma eficaz para assegurar a presença da Igreja na realidade sócio/política/econômica em vista da construção do bem comum.
O conteúdo proposto para a 5ª Semana Social tem como tema gerador “Bem Viver. Caminho para nova sociedade com novo Estado”. A ideia central é discutir o “Estado que queremos” ou ainda “estado para quem e para quê?”.
A justificativa da opção por esse tema deve-se ao fato de que, ao longo das últimas décadas, o movimento social empreendeu várias iniciativas na perspectiva de democratizar o Estado brasileiro. Lutou-se contra o Estado autoritário, posteriormente por um Estado que incorporasse as demandas populares – processo constituinte – e, recentemente, início desse milênio, empenhou-se no processo eleitoral pela constituição de um governo popular em que o estado fosse subordinado à sociedade e, sobretudo, a serviço dos mais pobres.
A 5ª Semana tem como proposta a reflexão sobre o papel do Estado na vida dos brasileiros em uma perspectiva crítica e propositiva, pois participar implica em ter consciência das dificuldades e erros, mas também na ousadia de propor outros caminhos.
22 agosto, 2012