terça-feira, 18 de abril de 2017

Gênero: a história de um conceito



Em uma sociedade historicamente marcada por diversas formas de vioncia e onde diversos sujeitos são atacados  e  menosprezados  por  determinadas  características,  discussões  acadêmicas  atuação  dos movimentos sociais no debate sobre gênero tem um papel importante no curso da história.


O termo gênero em suas versões mais difundidas, remete a um conceito elaborado por pensadoras feministas precisamente para desmontar esse duplo procedimento de naturalização mediante o qual as diferenças que se atribuem a homens e mulheres são consideradas inatas, derivadas de distinções naturais, e as desigualdades entre uns e outras são percebidas como resultado dessas diferenças. O termo gênero referi-se também ao caráter cultural das distinções entre homens e mulheres, entre ideias sobre feminilidade e masculinidade.


Um rápido olhar sobre alguns indicadores no Brasil, mostra que a igualdade entre homens e mulheres está longe de ter sido atingida. As mulheres têm mais anos de estudo, em média, do que os homens. Segundo o Censo Escolar referente a 2005, as meninas são pouco mais da metade dos que terminam o ensino fundamental e o ensino médio.  No nível superior, a diferença é ainda maior. Mas o maior número de anos de estudo das mulheres não se reflete ainda numa igualdade salarial, o que se agrava mais ainda quando se trata de mulheres negras. Em média, as mulheres brancas ganham 40% menos do que os homens para o mesmo trabalho; e as mulheres negras, 60% menos.


Quando pensamos nas horas necessárias para realizar o trabalho de cuidar da casa e dos filhos, percebemos que no Brasil as mulheres que trabalham fora, além de ganhar menos que os homens, trabalham mais horas que eles. Isso porque não costuma haver uma divisão equitativa do trabalho doméstico.


Se, além de pensar nas diferenças nos sarios e nas horas de trabalho, também consideramos a violência sofrida pelas mulheres no Brasil, o quadro de desigualdades se torna mais crítico. Uma pesquisa realizada pela FPA chegou ao lculo de que a cada quinze segundos uma mulher é espancada no Brasil; 33% das mulheres entrevistadas sofreram violência física (ameaças com armas, agreses físicas, estupro conjugal ou abuso);  27% sofreram violências psíquicas; 11%  por cento afirmaram ter sofrido assédio sexual. Se os estupros massivos em situação de guerra estão longe de nossa realidade, a violência sexual, em situações de custódia do Estado, pode assumir conotações igualmente estarrecedoras.


Vale lembrar a detenção no Pará, em 2007, de uma adolescente pobre, de 15 anos, acusada de roubo. A garota foi mantida durante 26 dias em uma cela de uma delegacia de polícia com mais vinte homens. De acordo com as narrativas dos jornais, "a jovem disse ter sofrido abuso sexual dos cerca de vinte presos da cela, teve que fazer sexo com eles em troca de comida e foi agredida, apresentava hematomas e marcas de queimadura de cigarro pelo corpo". Após essa terrível notícia, foram difundidos outros casos de mulheres detidas em celas "mistas", em diversas partes do país.


Esse conjunto de indicadores e observações torna incontestável a necessidade, também no Brasil atual, de fazer esforços para compreender os lugares diferenciados e desiguais que as mulheres ocupam em diversas áreas da vida social, prestando atenção aos aspectos culturais que participam na delimitação desses lugares.


O conceito de gênero foi elaborado e reformulado em momentos específicos da história das teorias sociais sobre a "diferença sexual" e foi inovador em diversos sentidos. O psicanalista Stoller, em 1963, teria formulado o conceito de identidade de gênero para distinguir entre natureza e cultura. Assim, sexo está vin- culado à biologia (hormônios, genes, sistema nervoso e morfologia) e gênero tem relação com a cultura (psicologia,  sociologia,  incluindo  aqui  todo  o aprendizado  vivido  desde  o  nascimento).  O  produto  do trabalho da cultura sobre a biologia era a pessoa marcada por gênero, um homem ou uma mulher. Stoller entendia que quando nascemos somos classificados pelo nosso corpo, de acordo com os órgãos genitais, como menina ou menino. Mas as maneiras de ser homem ou mulher não derivam desses genitais, mas de aprendizados que são culturais, que variam segundo o momento histórico, o lugar, a classe social. Cabe ressaltar que às vezes, algumas pessoas nascem com traços genitais de um sexo, mas sua "identidade de gênero" está associada ao outro sexo. Stoller afirmava que esse conjunto de possibilidades existe porque
a "identidade de gênero", que está no plano da cultura, dos hábitos e dos aprendizados, não deriva dos genitais, que "pertencem" à natureza, à biologia." Por isso, é preciso separar natureza de cultura, entendendo que o que define as diferenças de gênero está no âmbito da cultura.


Porém, as formulões de gênero que tiveram impacto na teoria social foram elaboradas a partir do pensamento feminista, na década de 1970. Esse movimento social, que buscava para as mulheres os mesmos direitos dos homens, atuou decisivamente na formulação do conceito de gênero. As feministas utilizaram a ideia  de  gênero  como  diferença  produzida  na  cultura,  mas  uniram  essa  noção  a  preocupão  pelas situões de desigualdade vividas pelas mulheres.


A "primeira onda" do feminismo ocorreu entre o final do século XIX e XX. Esse primeiro momento se caracterizou por uma importante mobilização no continente europeu, na América do Norte e em outros países, impulsionada pela ideia de "direitos iguais à cidadania", que pressupunha a igualdade entre os sexos.


Entre as décadas de 1920 e 1930, as mulheres conseguiram, em vários países, romper com algumas das expressões mais agudas de sua desigualdade em termos formais ou legais.
As leis eram diferentes para homens e mulheres. As feministas reivindicavam, entre outras coisas, poder votar (numa época em que os homens votavam nas eleições), ter acesso à educação (ter o mesmo tempo de escolaridade dos meninos) e poder ter posses e bens (quando homens podiam ser proprietários de uma casa, por exemplo).


Segundo a pesquisadora estadunidense Mead, toda cultura determina, de algum modo, os papéis dos homens e das mulheres, mas não o faz necessariamente em termos de contraste entre as personalidades atribuídas pelas normas sociais para os dois sexos, nem em termos de dominação ou submissão.


Trabalhando na perspectiva dos papéis sexuais, autores e autoras como Margaret Mead apontaram para o caráter de construção cultural da diferença sexual. A perspectiva dos papéis sexuais resultou atraente para diversos estudiosos da diferença sexual porque conectava a estrutura social à formação da personalidade, de maneira relativamente simples. E isso ocorre por meio da "socialização" ou seja, pela incorporação das normas sociais relativas feminino e ao masculino. Exemplo dessa socialização, é como colocamos elementos no cotidiano das crianças, meninos vestem azul, brincam de bola e são mais agressivos, as meninas vestem rosa, brincam de boneca e são mais meigas. Quem foge disso é considerado impróprio.


Além disso, a perspectiva dos papéis sexuais permite contestar pressupostos biológicos sobre os comportamentos de homens e mulheres, ao afirmar que as atitudes  de uns e outras são diferentes porque respondem a diferentes expectativas sociais. Entretanto, nessa abordagem, as relações entre os sexos eram analisadas  sem  prestar  atenção  às  desigualdades,  às  relações  diferenciadas  de  poder  entre  homens  e mulheres.  Essa  produção  não  demonstrava  interesse  em  destacar  nem  compreender  os  fatores  que contribuem para situar as mulheres em posições inferiores.


Nas décadas de 1950 e 1960, os grupos feministas continuavam lutando pela igualdade de direitos. Mas em

1949 havia sido publicado um livro chamado, O segundo sexo, que contestava o efeito dessas lutas para eliminar a dominação masculina. O livro foi escrito por Simone de Beauvoir, filósofa e escritora francesa, convencida de que para eliminar essa dominação era necessário muito mais do que reformas nas leis, garantindo, por exemplo, o direito das mulheres ao voto. Ela considerava que o verdadeiramente importante era enfrentar os aspectos sociais que situavam a mulher em um lugar inferior. A autora afirmava que retirar as mulheres desse lugar seria possível ao se combater o conjunto de elementos que impediam que elas fossem realmente autônomas: a educação  que preparava as meninas para agradar aos  homens, para o casamento e a maternidade; o caráter opressivo do casamento para as mulheres, uma vez que, em vez de ser realizado por verdadeiro amor, era uma obrigação para se obter proteção e um lugar na sociedade; o fato de a  maternidade  não  ser  livre,  no  sentido  de  que  não  existia  um  controle  adequado  da  fertilidade  que


permitisse às mulheres escolherem se desejavam ou não ser es; a vigência de um duplo padrão de moralidade sexual, isto é, de normas diferenciadas que permitiam muito maior liberdade sexual aos homens; e, finalmente, a falta de trabalhos e profissões dignas e bem remuneradas que dessem oportunidade às mulheres de ter real independência econômica.


De acordo com Simone na perspectiva da construção social aponta que: "Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto [...]".


O segundo sexo é considerado precursor do feminismo da "segunda  onda", protagonizado por grupos organizados de mulheres, em diversas partes do mundo, a partir da década de 1960. Em termos políticos, consideram que as mulheres ocupam lugares sociais subordinados em relação aos homens. A subordinação feminina é pensada como algo que varia de acordo com a época histórica e o lugar.


Essas abordagens questionam o suposto caráter natural dessa subordinação, sustentando, ao contrário, que ela é decorrente das maneiras como a mulher é construída socialmente. Isto é fundamental compreender, pois a ideia subjacente é a de que o que é construído - ao não ser natural, inato, fixo - pode ser modificado. Portanto, alterando-se as maneiras como as mulheres são percebidas, seria possível mudar o espaço social por elas ocupado. Por esse motivo, o pensamento feminista da segunda onda colocou reivindicões voltadas para a igualdade  no  exercício  dos direitos, questionando, ao  mesmo tempo, as  raízes  culturais dessas desigualdades.


A categoria mulher foi desenvolvida pelo feminismo da segunda onda em leituras segundo as quais a opressão das mulheres está além de questões de classe e raça, atingindo todas as mulheres, inclusive as mulheres das classes altas e brancas. O reconhecimento político das mulheres como coletividade ancora-se na ideia de que o que une as mulheres ultrapassa em muito as diferenças entre elas. Isso criava uma "identidade" entre elas.


Considerando que as mulheres eram oprimidas enquanto mulheres e que suas experiências eram provas de sua opressão, chegou-se a conclusão de que a opressão feminina devia ser mapeada no espo em que as mulheres a viviam, isto é, nas suas vidas cotidianas, no lar, nas relações amorosas, no âmbito da família. Esse relacionamentos   era considerados,   sobretudo,   políticos,   na   medida   e qu "político"   é essencialmente definido como o que envolve uma relação de poder.



As feministas procuraram desvendaram multiplicidade de relações de poder presentes em todos os aspectos da vida social, nas esferas pública e privada. Em termos teóricos, elas trabalharam com uma ideia global e


unitária de poder, o patriarcado numa perspectiva na qual cada relacionamento homem/mulher deveria ser visto como uma relação política.


O conceito de patriarcado, útil do ponto de vista da mobilização política, colocou sérios problemas no que se referia às particularidades da condição feminina em diferentes lugares e épocas. O pensamento feminista procurou no patriarcado a idéia de uma origem, de um tempo anterior, quando teria começado a história da opressão das mulheres. E se o patriarcado teve um início, poderia ter um fim.


É importante compreender que o patriarcado, assim como outras explicações da origem e das causas da subordinação feminina, tinha o objetivo de demonstrar que a subordinação da mulher não é natural e que, portanto, é possível combatê-la. Pouco a pouco, as hipóteses explicativas sobre as origens da opressão feminina foram sendo questionadas, ao mesmo tempo que se buscavam ferramentas conceituais mais apropriadas para que essa opressão perdesse o caráter de algo natural e imutável.


O conceito de gênero se difundiu com foa inusitada a partir da formulação da antropóloga estadunidense

Gayle Rubin. Seu ensaio "O tráfico de mulheres: Notas sobre a economia política do sexo", publicado em

1975. Inserindo-se no debate sobre a natureza e as causas da subordinação social da mulher, Rubin elaborou um conceito que denominou sistema sexo/gênero. Segundo a autora, esse sistema é o conjunto de arranjos através dos quais uma sociedade transforma a sexualidade biológica em produtos da atividade humana. Perguntando-se sobre as relações sociais que convertem as "fêmeas" em "mulheres domesticadas", a autora localiza essa passagem no trânsito entre natureza e cultura, no espo da sexualidade e da procrião.


Para Gayle Rubin, a divisão sexual do trabalho pode ser vista como um tabu contra a uniformidade de homens e mulheres, que divide o sexo em duas categorias excludentes. Todavia, ela também deve ser vista como um tabu contra outros arranjos sexuais que não aqueles que tenham pelo menos um homem e uma mulher, o que obriga ao casamento heterossexual. Assim, o tabu do incesto pressuporia, um tabu anterior, da homossexualidade. A assimetria de gênero, a diferença entre aquele que troca e o que é trocado, origina a repressão da sexualidade da mulher. Mas é importante perceber que esse é o efeito de um sistema que, reprimindo a sexualidade da mulher, está ancorado na obrigatoriedade da heterossexualidade.


O ponto mais importante da formulação sobre a diferença sexual nessa autora é pensar em gênero, articulado à sexualidade, como uma dimensão política. Para Gayle Rubin, gênero não é apenas uma identificação com um sexo, mas obriga que o desejo sexual seja orientado para o outro sexo. E percebe a opressão dos homossexuais como produto do mesmo sistema cujas regras e relões oprimem as mulheres.


As feministas negras e do "Terceiro Mundo" consideraram que no sistema sexo/gênero o foco singular no gênero  fazia  com  que  essa  categoria  obscurecesse  ou  subordinasse  todas  as  outras.  Sublinhando  as


diferenças entre mulheres, elas exigiram que gênero fosse pensado como parte de sistemas de diferenças, de acordo com os quais as distinções entre feminilidade e masculinidade se entrelaçam com distinções raciais, de nacionalidade, sexualidade, classe social e idade.


No entanto, várias autoras que participam desse movimento não concordam em trabalhar com a ideia de subordinação/dominação universal das mulheres, dividindo o mundo entre opressores e oprimidas. Elas preferem explorar situações particulares de dominação mediante análises que consideram o modo pelo qual o poder opera através de estrutura de dominação ltiplas e fluidas que se interceptam, posicionando as mulheres em lugares diferentes e em momentos históricos particulares. E, ao mesmo tempo, prestam atenção em como as pessoas, individual e coletivamente e opõem a essas estruturas de dominação, nos quais gênero se articula a classe, raça, nacionalidade, idade, não tem efeitos idênticos nas mulheres do Terceiro Mundo.


Nos anos 90 e 2000, várias autoras comaram a discutir sobre uma "Nova Política do Gênero", movimento de reivindicações de direitos sexuais que defende os interesses dos intersexos, transexuais e travestis. Considerando que a distinção entre masculino e feminino não esgota o sentido de gênero.


Segundo Judite Butler, um par de décadas atrás, a noção de discriminação de gênero se aplicava tacitamente às mulheres. No momento atual, a discriminação das mulheres continua existindo, particularmente quando se trata de mulheres pobres e/ou negras e/ou do "Terceiro Mundo". Entretanto discriminação de gênero atinge também homossexuais, transexuais e travestis, sujeitos à violência, a agressões e assassinatos por conta de sua identidade de gênero.


Sintetizando a trajetória do conceito de gênero, vemos que um termo, que se difundiu aludindo às diferenças e desigualdades que afetam as mulheres, adquire outros sentidos. Continua referindo-se a diferenças e desigualdades e, portanto, continua tendo um caráter político. Entretanto, nas suas reformulações, o conceito de gênero, requer pensar não apenas nas distinções entre homens e mulheres, entre masculino e feminino, mas em como as construções de masculinidade e feminilidade são criadas na articulação com outras diferenças de raça, classe social, nacionalidade, idade; e como essas noções se embaralham e misturam no corpo de todas as pessoas, inclusive aquelas que, como intersexos, travestis e transexuais, não se deixam classificar de maneira linear como apenas homens ou mulheres.


Referência na íntegra: 

PISCITELLI. Adriana. Diferenças, Igualdade. Gênero: a história de um conceito. São Paulo. 2009.

terça-feira, 4 de abril de 2017

MULHERES À FRENTE PT - PED OURO PRETO / 2017



“Para mudar a sociedade do jeito que a gente quer, 
participamos sem medo de ser mulher!”


Diante do atual cenário social, econômico e político que marca este país, entende-se que o Partido dos Trabalhadores e Trabalhadoras precisa analisar de forma crítica sua trajetória e recalcular sua rota, haja vista as necessidades de mudanças que se fazem urgentes e necessárias. Enfatiza-se que estas devem ocorrer em todas as instâncias, e entendemos que na qualidade de atores políticos, organizados em um coletivo que compreende o exercício da política com um espaço de serviço e de fomento à cidadania tendo clareza que suas ações devem convergir para o bem comum e a promoção da dignidade humana. Estes são princípios fundamentais que nos motivaram a concorrer às eleições do PED no município de Ouro Preto, onde acreditamos que podemos atuar de forma séria, tocando o chão da nossa realidade, potencializando transformações e desmistificando compressões políticas que geram retrocessos sociais e ceifam vidas. Sendo assim, nos colocamos a serviço a fim de colaborar de forma efetiva para que essa mudança aconteça.

Queremos, sonhamos e lutaremos para construir um partido (PT) que seja realmente representante da classe trabalhadora (composta por homens, mulheres, jovens e idosos/as)nos mais diversos espaços que se fizer presente, bem como nos colocamos na em luta para ocupar espaços que sejam importantes para nossa classe, visto que idealizamos um partido que respeite plenamente sua base e que faça do diálogo seu principal instrumento de trabalho.

Acompanhamos diariamente cenas de racismo, homofobia, xenofobia, assim como de manifestações violentas contra a Mulher, estas que atingemos mais diversos campos da sua vida. Percebem-se claramente estratégias desumanas e equivocadas que colocam a mulher em um patamar de inferioridade, retirando delas o direito de ser sujeito, protagonista da sua própria história, no campo da participação política perdemos essa situação claramente, um dos elementos que comprovam essa tese é a participação da mulher na política e/ou em espaços decisórios no campo das políticas publicas, sem apontar as desigualdades no campo profissional e na cultura machista que coloca a mulher como figura responsável pelo cuidado da família e do trabalho doméstico, manifestação cultural marcada por preconceito, visto que não compreende o cuidado com a família como dever de todos.

Diante da realidade social que nos é colocada, inspirados pela desejo de justiça e fraternidade é que acreditamos que chegou o momento do PT Ouro Preto ter como presidente uma Mulher, uma mulher de luta, educadora e que fez uma opção de vida que busca combater as diversas forma de violência praticada contra as minorias, uma Mulher que ao longo de sua trajetória de vida está sempre presente nas lutas em defesa dos direitos humanos e da participação popular nas decisões políticas que incidem sobre os indivíduos e grupos.

Acreditamos que através de uma candidatura a presidêncialiderada por uma Mulher unida à uma chapa paritária em relação à gênero, podemos dar com firmeza os primeiros passos rumo as mudanças que almejamos. Por isso nos constituímos inicialmente como uma chapa denominada como MULHERES À FRENTE – PT, esta que valoriza a participação da mulher e sente na pele os efeitos do golpe em curso que se consolidou, também, por não admitir ter uma mulher à frente de uma nação.É hora de mudar os rumos dessa história, e para que seja uma mudança estrutural deve-se começar edificando uma base forte e resiste, para que não demolida ao longo de um processo, que como já percebemos, nem sempre é justo. Essa chapa, com o apoio de cada filiado e filiada, atuará com transparência e eficiência em defesa da classe trabalhadora e dos direitos humanos, tratará com todo o cuidado das relações sociais partidárias não se submetendo aos interesses no capital, que tanto tem ferido à população brasileira e seus direitos, como podemos evidenciar através das leis que tramitam nos congressos e câmaras, de forma especial nos últimos meses. Não podemos nos calar frente a essa incoerente proposta de desmonte do Estado que está se consolidando dia após dia.OPT precisa se colocar à altura dos desafios postos na luta de classes que está em curso, e o PT somos nós, toda essa militância que acredita no trabalho de base, na organização popular.

O PT precisa reavivar suas pautas, suas lutas, retomar com maior determinação opção preferencial pelos pobres e marginalizados, precisa acampar programas e discussões que tenham clareza das transformações sociais tão necessárias, como por exemplo: o genocídio da juventude negra, a LGBTfobia, violência contra a mulher dentre outras diversas formas de violência presente nessa terra onde muito sangue tem sido derramado.

Precisamos pautar a importância da cultura, da saúde, da educação de qualidadee da segurança publica como bem público, na cidade e no campo, nos centros e periferias. Precisamos exigir que estes direitos sejam garantidos! É necessário pensar e propor novas estratégias que valorize a cultura do povo brasileiro, propor um modelo de educação que dialogue com a realidade, que forme cidadãos e não apenas meros profissionais para atender as demandas do “mercado de trabalho”. Precisamos também nos atender para o resultados positivos da medicina preventiva em detrimento da medicina curativa tão usada Brasil afora, assim como valorizar alternativas medicinais de cunho natural em relação à indústria farmacêutica. É preciso também, repensar nosso conceito de segurança x violência. Há muito a se fazer, a se pensar e a se propor, reconhecemos que não poderemos mudar o mundo, mas entendemos que toda mudança precisa de coragem para ser iniciada, e desta coragem e vontade o nosso coração e nossa mente está repleto. E como essas iniciativas demandam bastante mão de obra, cada filiada e filiada tem papel importante e fundamental nesse processo de reconstrução política partidária municipal.

Podemos e devemos construir um projeto societário democrático, popular, socialista e libertário, que integre as demandas históricas, a democracia e o bem-estar social, com as demandas dos segmentos historicamente oprimidos por sua condição social, opção religiosa, origem regional, sexo, identidade de gênero, orientação sexual, etnia ou geração. Não podemos admitir que vidas sejam ceifadas em decorrência da intolerância e do preconceito.

É notável a necessidade de ampliar os debates a cerca do universo político, da economia, da educação, dos direitos sociais, dentre outros temas, entendemos que o PT Ouro Preto pode e deve atuar como coletivo de formação para cidadania, promovendo debates e formações abertas e para filiados com o objetivo de conscientizar a população sobres as pautas de interesses público.

Temos consciência que precisamos ter uma Juventude do PT inserida nas lutas sociais das juventudes brasileira, que influencie o partido com uma nova energia combativa, com novas pautas e criatividade para atualizar as formas de organização. Queremos contribuir para que a juventude se encante pela política petista, trabalharemos arduamente para que nosso partido esteja repleto de jovens, estes que anseiam em construir um outro mundo possível, mais justo e fraterno.

É nossa pauta, respeitar e agregar forças com os movimentos sociais organizados e ajudar no fortalecimento dos que se encontram fragilizados, com atenção especial aos coletivos de mulher e do meio ambiente.

Queremos e seremos um Novo PT, um PT que toca o chão da realidade para transformá-la, colocando a mão na massa, certo da sua missão.



“O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada.
Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.” 

(Cora Coralina)

PRESIDENTE: BRUNA MONALISA Nº 500
DIRETÓRIO: CHAPA MULHERES À FRENTE Nº 600

sábado, 24 de dezembro de 2016

ENTRE O MENINO JESUS & O PAPAI NOEL


Ao longo deste período que nos preparamos para vivenciar o Natal, somos provocadxs a repensar o verdadeiro sentido de celebrar esta data.

Tem-se como centralidade o nascimento de um ser que vem ao mundo com uma grande missão e responsabilidade:  a de salvar a humanidade e a de semear amor ente os povos, compreendendo e respeitando as diversidades.

Neste sentido, podemos entender que o espírito de Natal se manifesta no seio da nossa família, mas também no seio da casa comum.

Então vivenciar o Natal, refletindo a imagem e o exemplo do Menino Jesus não é uma tarefa  fácil. Uma vez que Jesus, amou sem medida, praticou o perdão e a justiça sem medo.

E se Jesus estivesse hoje aqui? Por onde ele caminharia? Onde seria sua  ceia?

Caminharia pelos presídios  e pelas periferias, daria atenção aos leprosos e excluídos deste tempo. Impediria qualquer forma de violência contra os pobres, os homossexuais, as mulheres, os negrxs e as pessoas com deficiência. Não permitiria manifestações de intolerância, que ceifam vidas, promovem guerras e mancha de sangue nosso solo e nossas praças. Sua ceia seria entre os oprimidos, entre os que clamam por amor, entre os invisíveis da sociedade.

Estaria ele, o Menino Jesus, partilhando a vida e o amor com os favelados, os sem teto, os sem terra e os sem família. Estaria ele, entre os pobres e marginalizados, entre os excluídos por uma sociedade hipócrita, desumana e egoísta que esqueceu o sentido de viver em comunidade.

Estaria também com sua Amada Família, reunido em volta da mesa, sorrindo, cantando e dançando, partilhando com a alegria o pão da vida e o pão da unidade, feliz por estar em família, mas talvez inquieto por saber que em muitos lares falta o pão e também o amor.

E o Papai Noel, aquele velhinho branco, barbudo, gordinho e carismático, por onde caminharia?

O Papai Noel caminharia, consideravelmente,  no sentido oposto ao Menino Jesus.
Estaria nos grandes centros urbanos, nos shopping centers e seu diálogo seria com as pessoas mais abastadas da sociedade, visto que potencialmente, são estas que tem maior acesso ao mercado excludente de consumo.

Sua caminhada seria  por onde reina a fatura, mas que por vezes,  por falta de tempo o amor, carinho e atenção são se fazem presentes. Pois o Papai Noel não tem a missão de amar e respeitar o próximo e suas diversidades, como o Menino Jesus, sua missão é estar a serviço do capital financeiro, mercantilizando a alegria e o sentido do natal.

Para o Papai Noel, não faz sentido andar pelas favelas e periferias, não faz sentido dialogar com os excluídos e muito menos sentar-se junto aos pobres e os marginalizados, pois ele se dispôs a fazer o caminho contrario alimentado por uma realidade social que tem como fio condutor o poder de compra e a alegria materializada em bens de consumo.

E nós, de que lado nos colocamos a caminhar? Qual exemplo optamos seguir?

Tenho esperança, que nossa opção seja o caminho realizado pelo Menino Jesus, visto que ele chega em espaços onde o Papai Noel não chega, e que sua missão possa ser também a nossa, de amar, servir e perdoar!

Que nós sejamos presentes diário na vida uns dos outros, fazendo com que o espírito natalino, inspirado na vida do Menino Jesus esteja presente em nossas relações ao longo dos 365 dias do ano.

Que a esperança, a sabedoria, o discernimento e a ousadia do Menino Jesus seja nossa inspiração para que possamos edificar uma sociedade mais justa e fraterna, onde o amor e o perdão sejam nossos principais aliados.

Feliz Natal !!!
Que seja tempo de amar e perdoar!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

SOU FEITA DE RETALHOS




"Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. 
Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou. 
Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior... 
Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade... que me tornam mais pessoa, mais humano, mais completo.
E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também. 
E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados... haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma. 
Portanto, obrigado a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim. 
Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias. 
E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de 'nós'."


Texto de Cora Colarina

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

DO LADO DE CÁ, UMA CHAMA TEIMOSA E UMA VOZ RESISTENTE



Em tempos de direitos acometidos, de vidas ceifadas, de lideranças atuando como falsos profetas, difundido mentiras e semeando ódio. Temos cotidianamente várias expressões de violência sendo efetivadas, são crianças, adolescentes, jovens, idosos, homens, mulheres, brancos, negros e índios sendo vítimas de um sistema que explora, exclui e mata! São milhares de cidadãos e cidadãs privados do seu direito de sonhar e de viver.

É neste cenário conflituoso em que milhares de brasileiros e brasileiras sofrem brutalmente ataques que se apresentam como uma maldição que envolve, sobretudo, a classe trabalhadora, as minorias marginalizadas, e as pessoas mais empobrecidas de nosso país. Neste sentido fica evidente que estamos em momento de guerra, notoriamente em um tipo de guerra marcada pela luta de classe.

No Brasil, o ano de 2016, ficará registrado na história como aquele em que a manipulação midiática, a alienação política, a política elitista, a busca pelo poder a qualquer custo, a valorização do capital em detrimento dos indivíduos colocou em cheque os direitos duramente conquistados e estabelecidos na Constituição Federal de 1988. Neste caso, estamos falando de um expressivo retrocesso, que se deu com  “a morte da jovem democracia”.

Pois bem, o ano iniciou com grande articulação que permeava o campo do direito e o campo político. No entanto, questões de gênero era claramente um fator que se constituía como pano de fundo nesta articulação irresponsável, egoísta, injustiça e machista.

É sabido que o enfrentamento a qualquer tipo de corrupção demanda seriedade, e se faz urgente e necessária. No entanto, deve ser executado com coerência e legitimidade. Neste ponto, refiro-me as atrocidades que envolveram o processo de impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff, processo esse que tenho muitos questionamento que vem sendo respondido através das políticas estabelecidas pós processo de impeachment.

Neste caso, ainda fico a pensar...

Seria um golpe parlamentar para ocupar o poder e instituir no país a política de estado mínimo, estado de recessão? Seria uma forma de evidenciar que o estado deve estar a serviço do capital e não a serviço do povo? Seria um ato de demonstrar que a política é um lugar para ser ocupado por homens e burgueses? São muitos meus questionamentos, mas uma coisa é certa... foi um golpe de mestre para estimular e garantir o desmonte do estado, inspirado numa proposta de precarização do trabalho, da saúde, da educação e ampliação das desigualdades sociais.

Contudo, este tempo deveria estar marcado por desesperança, mas não!

Na luta diária pela sobrevivência na periferia de Ouro Preto, nas experiências adquiridas nos trabalhos dentro das comunidades de base, na vida em comunidade, na militância política partidária, no envolvimento com as causas populares em defesa da garantia e da promoção dos direitos humanos, nos trabalhos frente as pastorais sociais... o aprendizado foi grande, aprendi com mestres e doutores do meio popular que outro mundo é possível, mas para que ele aconteça temos que lutar! 

Entende-se que nossa voz quanto classe trabalhadora e minorias precisa se unir em coro para que possa ecoar, não basta ser um gemido é preciso ser um grito forte, que clama e exija que a vida seja digna para todos e todas.

Sendo assim, hoje me encontro num estado de indignação e resistência, por reconhecer que vivo em uma nação que não respeita sua população. Sociedade esta que se instalou um governo ilegítimo a serviço dos interesses financeiros, que necessariamente precisa ser destituído ou entrar no rumo certo da política que visa o bem comum. É por acreditar que a política é a via para a justiça social e para o desenvolvimento justo, que não me retiro da luta, na perspectiva de lutar sempre e temer jamais. Sendo povo oprimido combatendo os poucos opressores que dominam o mundo com suas riquezas materiais e egoísmo mutuo.

Continua acesa em mim a chama da coragem, do amor e da esperança. Sendo assim, sou estimulada, pela experiência e opção de vida, a continuar a luta que visa colaborar na construção de uma sociedade mais justa e fraterna, onde a vida esteja em primeiro lugar. Combatendo com coerência as imposições deste sistema capitalista, nesta nação, hoje, governada pela mídia e pelos financiadores da morte, com raras exceções, enfrentado com firmeza e com espírito coletivo a serviço da vida as mazelas que marcam este tempo.

Visto que a construção de outro mundo possível, passa pelas mãos de cada um e cada uma, ao se reconhecer como sujeitos e protagonistas de sua história individual, tendo essa, grande interferência na história coletiva. É importante que esta história não seja registrada e contada apenas pelos vencedores que compõe a elite brasileira, assim como tem sido, desde sempre, como por exemplo aquela história que omite e criminaliza a fundamental e importante participação do povo negro e indígena na construção da sociedade brasileira.


Não é por acaso, que sigo firme como mulher, professora, negra, pobre e da periferia pautando as razões do nosso viver, tendo em vista que quem luta com fé e esperança alcançará a vitória!

domingo, 13 de março de 2016

Por coerência e sensatez: NÃO VAI TER GOLPE

O atual governo precisa avançar em muitos campos, isso é fato!


Mas não se pode negar que este foi o governo que conseguiu, mesmo que não de maneira perfeita, o aliar o desenvolvimento com a distribuição de renda, conseguiu dar cor as universidades, valorizou a presença da mulher e dos negros e negras na politica, ampliou e tornou os mecanismos de controle social mais ativos e eficientes, articulou diversas iniciativas para ouvir as demandas das O atual governo precisa avançar em muitos campos, isso e' fato!
Mas não se pode negar que este foi o governo que conseguiu, mesmo que não de maneira perfeita, o desenvolvimento e a distribuição de renda, conseguiu dar cor as universidades, valorizou a presença da mulher e dos negros e negras na politica, ampliou e tornou os mecanismos de controle social mais ativos e eficientes, articulou diversas iniciativas para ouvir as demandas das populações - com atenção as minorias vitimas de diversas formas de violência, preocupou-se com os direitos básicos da população como por exemplo a moradia - PMCMV - e o acesso a educação - ENEM, REUNI, PROUNI, FIES, PRONATEC, CIENCIAS SEM FRONTEIRAS - , ampliou também as politicas da área de saúde - PSF, MM -e de assistência social -CRAS, CREAS, PBF...-, sem contar os as iniciativas voltadas a agricultura e agricultores familiar, o Projovem, o Procampo e Juventude Viva...
Relendo a historia desta nação fica claro que foi nos últimos 13 anos que direitos humanos tiveram maior atenção, numa perspectiva de governo "para todos", o único que se pode comparar, mas com uma uma atuação muito menor, foi no Governo Vargas sobretudo no campo das leis trabalhista.
Podemos, devemos e temos o direito de manifestar... mas e importante compreender o curso da historia observando o cenário nacional e internacional num mundo globalizado.
Enfim... ocupemos ruas e praças, conscientes dos nossos atos e muito cuidadosos com o que a mídia monopolizada nos serve diariamente. Um cuidado necessário para não se tornar objeto de manobra dos detentores do poder.
Eu tenho claro que o impeachment da Presidenta Dilma não e' o melhor caminho, visto transformação já iniciada com que sonho para o Brasil.
Este impeachment que muitos desejam, e poucos sabem dos possíveis resultados e' para mim um ATENTADO CONTRA A DEMOCRACIA, isso nada tem haver com o combate a corrupção que se faz urgente e necessário, realmente nao podemos admitir tantos ataques contra a cidadania, vindo de diversos lados e todos esses lados merecem ser punidos.
Nao posso deixar de falar das atitudes, q em grande parte visa denegrir a imagem do ex Presidente Lula.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Cuidado com o que você consome



É importante selecionar o que consumir para evitar intoxicação, visto que existem produtos no mercado que tem como objetivo estimular e aumentar o nível de alienação na mente humana, eles tem gerado hemorragias profundas e muitas mortes já foram registradas.
Os principais sintomas desta doença estão relacionados a perda de memória, redução da capacidade de escuta, escrita, interpretação da realidade e potencializa a miopia.
Ao longo da evolução dessa doença, o indivíduo se acha o dono da verdade, dono do poder e não admite que outras pessoas sejam mais qualificadas que ele. Inicia aí um processo de ruptura com a lei, o que coloca em risco a vida e as relações humanas.
A vaidade, a busca incessante pelo poder, o desejo de acumular riquezas e o egocentrismo faz com que esse individuo pratique diversas formas de violência, inclusive contra os direitos humanos!
Contudo, as atitudes desses indivíduos doentes são aplaudidas por muitas pessoas que carregam dentro de si, uma essência similar a dos vampiros.
Informação importante:
* Dizem que esse produto foi (ainda é) utilizado em larga escala nos panelaços ocorridos nas áreas nobres de alguns cantos deste país, onde a receita era a produção de coxinhas.

Estou assustada, com a eficiência desse produto da morte.